Municípios vivem nova realidade criando peixe

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Barragem Salinas( Foto: Francisco Leal)

Barragem Salinas( Foto: Francisco Leal)

O programa de fortalecimento da piscicultura piauiense, executado pelo Governo do Estado, através da Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR), começa a apresentar resultados positivos seis meses depois do início de sua implantação. Na primeira despesca em duas das dez barragens utilizadas pelo programa, já são mais de dez toneladas de peixes.

“A criação de peixe está mudando nossa vida”, diz Edmilson Miranda, um dos associados do projeto implantado na barragem Pedra Redonda, na zona rural do município de Conceição do Canindé, em pleno Semiárido, a região mais seca do Piauí e que há mais de dois anos enfrenta uma das piores secas de sua história.

Como Edmilson, a maioria dos associados vivia da roça e não estava produzindo nada por causa da seca. Com a ajuda do Governo do Estado, passaram a criar tilápias na barragem e nos próximos dias, em sua primeira despesca, esperam retirar de seus 50 tanques-rede mais de uma tonelada de pescado, quantidade que será adquirida pelo próprio governo, através do programa de compra direta.

Segundo o secretário do Desenvolvimento Rural, Rubem Martins, o governo, com o fortalecimento da piscicultura, também garante o aproveitamento das grandes barragens do estado, algumas delas construídas há décadas e até agora praticamente sem qualquer atividade produtiva.

O governo oferece todos os equipamentos e insumos necessários para o funcionamento do projeto até a primeira despesca, a partir de quando os associados passarão a caminhar com as próprias pernas.

“A piscicultura está melhorando a qualidade de vida em Conceição do Canindé. Com a produção de peixe, tanto ganha o trabalhador como a população, que passa a contar com alimento de qualidade”, destaca Valci Pereira, presidente da Colônia de Pescadores de Conceição do Canindé.

Para o prefeito Adriano Veloso, o projeto terá um impacto muito grande na geração de renda no município, onde a maioria da população vive da agricultura de subsistência e no momento não possui renda alguma, já que não chove há bastante tempo.

A  barragem Salinas, que fica localizada 45 quilômetros da cidade de Oeiras, também faz parte do programa de fortalecimento da piscicultura do Piauí. Com 50 tanques-rede, número adotado pela SDR para início do programa, mas que pode ser ampliado, os associados esperam conseguir na primeira despesca, marcada para a próxima semana, pelo menos uma tonelada de peixes.

“Esse povo que hoje cria peixes na barragem vivia todo na roça. Em época de bom inverno cultivam arroz, feijão e milho, mas no tempo de seca, fica todo mundo sem ocupação, vivendo de bico. Agora essa situação vai mudar”, diz Luciano Silva, presidente da Colônia de Pescadores de Salinas.

Barragem Salinas( Foto: Francisco Leal)

Barragem Salinas( Foto: Francisco Leal)

Sucesso 

As barragens do Estreito, em Francisco Macedo, e Poço do Marruá, em Patos do Piauí, ambas no Semiárido, são, no momento, os maiores exemplos do sucesso do programa. Na primeira despesca, os dois projetos conseguiram produzir mais de 10 toneladas de pescado e a expectativa é de que até março de 2015 a produção alcance 30 toneladas por mês. No Estreito, foram pescados mais de 4 toneladas e em Poço de Marruá, 6,1 toneladas.

O peixe é a nossa salvação. Aqui vivia todo mundo na miséria, rezando e pedindo chuva para que pudesse plantar alguma coisa. O governador Wilson Martins é o grande responsável por isso, foi ele quem nos deu a mão”,  festeja  Izedito Coutinho, presidente da Associação de Pescadores. Ele confessa que a primeira despesca surpreendeu a todos. Nenhum dos 21 sócios acreditava que chegasse a essa quantidade.

Para Alcidon Rodrigues, um dos associados, a meta agora é passar de 50 para 100 tanques-rede até o fim deste ano, cada um deles com 500 peixes, concluindo o primeiro ciclo do projeto.

Os recursos conseguidos com a venda da produção para o compra direta vai ser usado para capital de giro, o que irá garantir a continuidade do programa quando o governo ficar apenas com a assistência técnica aos piscicultores. “Estamos bastante animados, o governo está ajudando muito e isso aqui não tem volta. Quando chegar a hora vamos tocar com nossas próprias mãos e garantir o abastecimento de todas as cidades da região”, completa Alcidon.

“A piscicultura hoje, graças ao apoio do governo, é a principal fonte de emprego e renda na região. Diversas famílias já estão vivendo uma situação bem melhor e a economia do município já reflete o impacto disso tudo”, explica o prefeito de Francisco Macedo, Cristóvão Alencar.

Satisfação igual só mesmo na barragem Poço de Marruá, até agora a grande campeã na produção de peixes do Programa de Fortalecimento da Infraestrutura da Piscicultura no Piauí, resultado de parceria com o Banco Mundial.

O presidente da Associação dos Pescadores e Aquicultores de Patos do Piauí, Francivaldo da Costa Veloso, a primeira despesca na barragem Poço de Marruá superou a expectativa. Foram pescados mais de 4,4 mil peixes, resultando numa produção total de mais de 6 toneladas.

“Para a maioria dos nossos associados, a piscicultura é a principal fonte de renda. Só é um complemento de renda para uns poucos, que já desenvolvem outra atividade, É um grande projeto do Governo do Estado”, analisa Francivaldo.

Barragem Salinas( Foto: Francisco Leal)

Barragem Salinas( Foto: Francisco Leal)

Investimentos

O governo está investindo cerca de R$ 2,8 milhões na implantação de dez unidades produtivas. De acordo com o secretário Rubem Martins, o programa tornou-se possível  através de parcerias, garantindo investimentos em equipamentos e estrutura de cultivo e apoio, bem como o custeio de insumos, suprindo com infraestrutura pública a melhoria das condições de produção, comercialização e gestão das atividades.

Estão sendo atendidas na primeira etapa do programa, barragens como Poço do Marruá, Salinas, Estreito, Algodões II, barragem de Piracuruca, Pedra Redonda e Piaus, entre outras.

Em cada unidade o governo constrói galpões de apoio e entrega barco, máquina automática para fabricação de gelo, alevinos, ração balanceada, tanques-rede e acessórios como flutuantes, canoa de madeira, berçários, bóias de sinalização,puçá, balaios de plástico, caixa de isopor, balanças, colete salva-vidas, cadeiras, armários e escrivaninha

Confira aqui mais fotos sobre as barragens.

Fonte: Francisco Leal – CCom

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