

Após conversa com o primeiro‑ministro indiano Narendra Modi, o presidente Lula destacou um avanço importante na relação entre Brasil e Índia: a expansão do alcance do atual acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e os indianos. Atualmente, apenas 14% das exportações brasileiras à Índia são beneficiadas por esse tratado, que inclui reduções tarifárias limitadas e cobre cerca de 450 categorias de produtos. O passo agora significa a possibilidade de abrir caminho para setores ainda excluídos, especialmente do agronegócio, como óleos vegetais, algodão, feijões, etanol, genética animal, frutas, aves, pescados, café e suco de laranja.
Além disso, Lula reafirmou o objetivo de elevar o comércio bilateral para mais de US$ 20 bilhões até 2030 — um salto considerável em relação aos cerca de US$ 12 bilhões atuais. Ele destacou que a expansão do acordo comercial deverá mitigar barreiras tarifárias e não tarifárias, favorecendo a diversificação das exportações brasileiras e consolidando parceria estratégica com o país asiático.
Para o governo brasileiro, esse acordo ampliado é parte de uma estratégia de diversificação diante do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos a ambos os países. A ofensiva comercial de Washington impôs sobretaxas que, acumuladas, chegam a 50% sobre produtos indianos e brasileiros. Diante disso, a aproximação com a Índia ganhou relevo como alternativa aos impactos do protecionismo norte-americano.
A expansão do acordo também reforça a cooperação multissetorial entre Brasil e Índia. Durante a reunião, ambos líderes discutiram temas como transformação digital, bioenergia, defesa, mudanças climáticas, ciência, tecnologia e intercâmbio cultural e educacional