
A história de Eweline Passos Rodrigues, mais conhecida como “Diaba Loira”, é um complexo enredo que transita entre o assédio a comerciantes e a sua ascensão em uma das facções criminosas mais perigosas do Brasil. Antes de se tornar uma figura notória no mundo do crime, Eweline, de 28 anos, já tinha um histórico de problemas com a justiça, embora por motivos completamente diferentes. Documentos revelam que, por volta de 2020, ela foi alvo de uma denúncia em Tubarão, Santa Catarina, onde uma empresa a acusou de assediar e coagir funcionários.
O caso, que à primeira vista parecia trivial, expõe um lado de Eweline que a polícia e o público desconheciam. A empresa alegava que ela buscava uma indenização, afirmando ter se machucado nas dependências da loja. Para pressionar o estabelecimento, Eweline teria adotado uma postura hostil, ridicularizando o local e seus colaboradores. A situação escalou a ponto de a empresa buscar uma tutela de urgência, pedindo que ela fosse impedida de continuar com os contatos e as intimidações. No entanto, a Justiça de Santa Catarina, ao analisar o caso, decidiu contra a empresa. A decisão foi baseada na falta de provas concretas que sustentassem a acusação de conduta ilícita, e o tribunal considerou que a atitude de Eweline se enquadrava no “exercício regular de direito”, já que ela estava buscando reivindicar uma suposta lesão.
Essa vitória legal, no entanto, não marcou uma mudança em seu comportamento. A partir daí, a trajetória de “Diaba Loira” tomou um rumo mais sombrio. Sua entrada no Comando Vermelho (CV) ocorreu após ela sobreviver a uma tentativa de feminicídio em 2022. O evento traumático, ao invés de afastá-la do perigo, a empurrou para o submundo do crime organizado. Eweline rapidamente ganhou notoriedade, tornando-se uma figura de destaque na facção. Sua ficha criminal começou a crescer com acusações cada vez mais graves. Em 2023, ela foi presa transportando sete quilos de cocaína, o que a consolidou como uma peça importante no esquema de tráfico de drogas.

O ano de 2025 marcou um ponto de virada dramático em sua vida criminosa. Em junho, ela foi flagrada atirando contra policiais durante uma operação, demonstrando uma audácia e violência que a diferenciavam de outros criminosos. Pouco tempo depois, Eweline tomou uma decisão arriscada e fatal: rompeu com o Comando Vermelho para se juntar à facção rival, o Terceiro Comando Puro (TCP). Essa mudança de aliança intensificou a rivalidade entre os grupos e a colocou diretamente na mira de seus antigos companheiros.
A escalada de violência culminou com o seu assassinato na madrugada de uma quinta-feira em Cascadura, Zona Norte do Rio de Janeiro. Seu corpo foi encontrado com marcas de tiros na cabeça e no tórax. A morte de “Diaba Loira” foi resultado de um intenso tiroteio pela disputa de território nas comunidades do Campinho e Fubá. A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro iniciou a investigação, buscando desvendar os detalhes do confronto que tirou a vida da criminosa. Eweline tinha, na época, três mandados de prisão em aberto, dois deles em Santa Catarina, com uma pena total de cinco anos e dez meses em regime fechado por tráfico e organização criminosa. A complexa e trágica história de “Diaba Loira” serve como um exemplo da escalada do crime e da violência que permeia as facções, e como um passado aparentemente menor pode ser o prelúdio de uma vida inteira dedicada à criminalidade.