
O pastor Silas Malafaia tem gerado um intenso debate após fazer declarações contundentes durante um culto, dirigindo-se diretamente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As falas vieram à tona após uma operação da Polícia Federal (PF) da qual o líder religioso foi alvo, em um inquérito que apura a suposta tentativa de um golpe de Estado.
A crise teve início quando a Polícia Federal, agindo sob determinação do STF, cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Malafaia. Na operação, seu aparelho celular e quatro notebooks foram recolhidos, dando início a uma investigação por possível obstrução de Justiça e coação no curso do processo.
O pastor, que estava fora do país e foi surpreendido com a medida ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, reagiu de forma veemente. Foi em um culto na Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo que ele disparou sua artilharia verbal. Malafaia não economizou nas palavras ao se defender e ao atacar a operação.
Em suas declarações, ele expressou uma convicção de que haverá um acerto de contas. “Eu quero dizer, de público, que vai chegar a hora de Moraes”, afirmou, dirigindo a fala diretamente ao magistrado. Mas a crítica mais dura e que gerou a maior repercussão foi sua comparação da Polícia Federal a um dos símbolos mais sombrios da história mundial.
O pastor equiparou a PF à Gestapo, a temida polícia política da Alemanha nazista, conhecida por sua brutalidade e por ser um instrumento de repressão. A comparação, considerada por muitos como extremamente grave, colocou a operação policial em um patamar de totalitarismo, reforçando a narrativa de perseguição que alguns setores políticos têm levantado contra o STF.
A polêmica não parou por aí. O pastor também abordou a divulgação de mensagens de uma investigação anterior, que ele classificou como uma manobra para desviar a atenção do que chamou de “crimes de Moraes”. Ele defendeu sua independência de opinião, citando conversas vazadas em que criticava o deputado federal Eduardo Bolsonaro, reforçando que não era um “puxa-saco”.
A posição do Ministério Público Geral da República (PGR), que apoiou as medidas cautelares contra ele, como a proibição de deixar o país e de se comunicar com outros investigados no mesmo inquérito, adiciona uma camada de seriedade ao caso. O inquérito busca apurar se houve coação contra uma autoridade, uma ofensa grave no âmbito jurídico.