
O Piauí, um estado conhecido por suas paisagens diversificadas e riqueza natural, enfrenta um de seus períodos mais críticos de seca nos últimos cinco anos. Em resposta a essa situação alarmante, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) tomou uma medida decisiva e crucial: a proibição total de queimadas em todo o território estadual. A determinação, que entrou em vigor no dia 15 de agosto, marca um esforço governamental para mitigar os impactos devastadores do uso indiscriminado do fogo, que se torna uma ameaça ainda maior em um cenário de baixa umidade do ar, temperaturas elevadas e ventos fortes.
A decisão da Semarh reflete uma preocupação profunda com a proteção dos ecossistemas, da saúde pública e da economia local. O decreto suspende o uso do fogo em todas as suas modalidades, sejam elas para fins agropastoris, limpeza de áreas agrícolas, manejo florestal ou descarte de resíduos. Mesmo as autorizações previamente concedidas pela secretaria para essas atividades foram temporariamente revogadas. Essa ação enérgica visa evitar que pequenos focos de incêndio se transformem em grandes incêndios florestais, que podem se alastrar rapidamente e causar danos irreparáveis.
A gravidade do momento é reforçada pela situação hídrica do estado. Rios e açudes estão com níveis historicamente baixos, o que intensifica a vulnerabilidade da vegetação ao fogo. As queimadas descontroladas não apenas destroem a fauna e a flora, mas também liberam uma quantidade massiva de fumaça na atmosfera, comprometendo a qualidade do ar. Esse fenômeno é diretamente responsável pelo aumento de problemas respiratórios, especialmente em crianças e idosos, sobrecarregando o sistema de saúde. Além disso, os prejuízos econômicos para a agricultura e outras atividades produtivas são imensuráveis.
O secretário do Meio Ambiente, Feliphe Araújo, reforçou a importância da medida em uma declaração contundente. “É uma medida de proteção à vida, às comunidades e aos biomas. Não vamos tolerar o uso irregular do fogo e seremos rigorosos na atuação contra quem desrespeitar a lei”, afirmou. A sua fala ressalta a seriedade com que o governo estadual está tratando a questão. Nos últimos meses, o Piauí já testemunhou vários focos de queimadas que saíram do controle, evidenciando a urgência de uma intervenção regulatória mais rígida.
A portaria, que tem duração inicial de trinta dias com possibilidade de prorrogação por igual período, estabelece pouquíssimas exceções. Apenas a queima controlada de canaviais em unidades agroindustriais e as ações de capacitação técnica voltadas para a prevenção e combate a incêndios podem ser realizadas, e somente com autorização prévia e expressa da Semarh. Essa cautela demonstra que a prioridade máxima é a preservação ambiental e a segurança da população. Aqueles que desrespeitarem as novas regras estarão sujeitos a multas e outras penalidades severas, conforme a legislação ambiental vigente. A proibição serve como um lembrete crucial da responsabilidade coletiva em proteger os recursos naturais e garantir um futuro mais sustentável para todos os piauienses.